TRÂNSITO – DE QUE LADO VOCÊ ESTÁ?

Outro dia conversava com um amigo que tinha acabado de chegar da Alemanha e, claro, acabamos entramos no campo da organização, respeito pelo coletivo, etc. Ele me contou que estava passeando a pé e chegando num farol em frente a faixa de pedestres para cruzar uma grande avenida, olhou para os lados e viu que não havia carro algum vindo…nem de longe…e apesar do farol fechado para ele, teve vontade de atravessar, mas olhando para o lado, muitos outros pedestres e ciclistas aguardavam o verde sem nenhuma ansiedade. Claro que ele não atravessou, iria passar vergonha com certeza. Mas pensando nisso percebemos que o trânsito aqui é essa bagunça porque estamos todos mal acostumados. Imagine se os carros, os pedestres, os ciclistas, os motoqueiros e motociclistas respeitassem o vermelho, o verde e a faixa de pedestres? Os acidentes com certeza diminuiriam e sem muito esforço, somente o fato de parar em vez de furar o farol já faria uma diferença nos números de acidentes.
 
Ai podemos aplicar a mesma regra para velocidade dentro da cidade, que agora está acontecendo. Estive outro dia no interior de São Paulo e percebi que as pessoas conseguem andar a 40km/hora dentro da cidade sem ficar buzinando e atordoando o motorista da frente. Vale correr o risco de não ter como brecar numa emergência para dirigir rápido? Infelizmente o trânsito aqui nesta cidade é infernal e parece que as pessoas entram com seus veículos na rua como se entrassem num ringue, prontas para brigar e xingar. Mas o que me deixa sempre pensando é POR QUE O BRASILEIRO NÃO CONSEGUE FAZER A SUA PARTE? Temos sempre 2 argumentos que usamos sempre e para todas as situações, se o meu vizinho não respeita por que eu vou respeitar? E a regra brasileira que impera no transito é que todos acham que dirigem super bem e tem controle de tudo que está acontecendo a sua volta, tipo síndrome de SPEED RACER mal resolvida.
 
Eu tenho moto, outro grande problema no Brasil . Tenho muito medo de me acidentar e isto me faz dirigir com mais cuidado e me aventurar menos. Todos os dias ouço histórias horríveis sobre acidentes com motos. Enquanto estou no trânsito fico pensando como poderíamos resolver a falta de organização. Acho errado as motos andarem em todos os corredores, eu mesmo já fui atropelado por uma que vinha no corredor dos ônibus. Tenha na cabeça o seguinte, as motos não tem a mesma resposta dos freios como os carros e se a brecada for muito intensa pode-se derrapar, com chuva ainda pior. Dê sempre a seta indicando que você vai mudar de faixa ou entrar em alguma rua, isso evitaria muitos acidentes com as motos, bicicletas e mesmo pedestres.
 
Tem algumas coisas que eu faria, aqui em São Paulo principalmente. Uma delas seria tornar um dos corredores OFICIAL para motos. A segunda pista acolheria este corredor, assim os carros ficariam menos confusos pois saberiam que as motos estariam SOMENTE daquele lado do carro (como o desenho acima). Outra coisa seria colocar semáforos iguais aos que vi na Bahia, em vez da luz amarela existe uma contagem regressiva em que aparecem os segundos que faltam para fechar ou abrir! É bem interessante, não dá desculpas para má interpretação e ainda exclui o amarelo que aqui significa ACELERAR MAIS em vez de atenção.
 
Poderiamos ir longe falando ainda dos ônibus e caminhões que circulam pela cidade e pelas estradas sem respeito algum pelos outros que estão na rua, ocupando todas as faixas, ultrapassando em velocidade baixa. Impressionante é que nunca vi nenhum ser multado, você já viu? Corrigir tudo isto não é uma tarefa fácil e muito menos quando há pouco interesse por parte dos governantes. Tenho um amigão que é bem conhecido no meio e me conta como é difícil mudar as coisas, vale checar seu BLOG: http://biavati.wordpress.com/ . Onde você pode checar que os números de acidentes no Brasil ainda são muito altos.
 
DE QUE LADO VOCÊ ESTÁ? pense bemDO LADO DA VIDA? Tem muita coisa que sabemos estarem erradas, fazemos automaticamente sem pensar. O exemplo a educação no trânsito tem que vir dos mais velhos, dentro de casa já que nas escolas pouco é feito.

Nosso país está gritando por mudanças em todos os lados! Depende de nós apoiar e fazer a nossa parte para ver se conseguimos melhorar um pouco as coisas, no trânsito ou fora dele mas para TODOS.

 
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5 comentários sobre “TRÂNSITO – DE QUE LADO VOCÊ ESTÁ?

  1. Parabéns pelo post! Muito oportuno, pois as coisas estão cada vez mais difíceis para quem vive nas grandes cidades e como vc disse, parece que todos ficam esperando a solução mágica aparecer e ninguém faz sua parte….
    As pessoas de um modo geral têm a tendência de reclamar, mas não assumem seu papel e sua parcela de responsabilidade na solução dos problemas da coletividade. Atitudes simples de cada um nós podem mudar e muito as coisas para melhor. Mudanças simples de hábitos como sair um pouco mais cedo para os compromissos, dirigir com maior prudência, respeitar a sinalização, praticar a gentileza e a tolerância….Vamos pensar nisso e mudar, mas mudar pra valer e para melhor…

  2. Rico:
    Novamente vc toca num problema q a solução é uma só: EDUCAÇÃO!
    Um povo bem educado segue e obedece as regras sociais, as normas de convivência.
    Estamos começando a abrir os olhos para os graves problemas; mas o trânsito
    em São Paulo necessita de medidas de urgência. A campanha de respeito ao pedestre
    que está nas ruas pode ajudar muito, pelo menos vai provocar reflexão. Assim espero.
    Os semáforos como da BA já existem em São Vicente há muito tempo, são ótimos. Na Av. Sumaré há um, precisamos de mais desse tipo.
    Belo texto comportamental e de reflexão!
    bjs
    Maurício

  3. Olá, Ricardo!

    Muito legal! Eu tinha nada que dar pitaco na suas idéias, mas eu iria ainda mais longe: haverá um momento em que não será possível compatibilizar todos os interesses dos cidadãos motorizados com a vida e a sustentabildiade das cidades.

    Nós ainda não chegamos nesse limite nem em São Paulo, porque nós aprendermos a tolerar o conflito pelo espaço cada vez menor em troca da nossa saúde. As pessoas morrem subitamente no trânsito quando há uma colisão ou atropelamento, ou podem ir morrendo a cada dia – nós vamos ficando doentes, intoxicados, enraivecidos, ensurdecidos. O buzinaço coletivo de todo dia em São Paulo é um sintoma de uma sociedade doente.

    É por isso que resolve muito pouco apelar para a atitude de cada um. A retidão do trânsito germânico não é produto do velho “cada um faz sua parte”; muito pelo contrário, ele é resultado de um Estado forte, policialesco, que impôs a regra decidida pela coletividade. É muito bom que o cidadão faça sua parte, de preferência conscientemente, mas a ordem pública se impõe à revelia disso. Estado forte e administração pública digna do nome é tudo que falta por aqui. Na falta do Estado, apelamos, então, para o bom-mocismo de cada um – não deixa de ser um sinal de nossa incapacidade de lutar coletivamente por uma questão essencialmente coletiva.

    É claro que sempre podemos convocar esse bom-mocismo, desde que saibamos que não foi por isso, por exemplo, que Brasília inteira começou a respeitar a faixa de pedestre há 10 anos. A atitude individual é um pingo em um contexto que caminha para uma transformação: controlaremos as velocidades, retiraremos os estacionamentos, negativaremos a mobilidade motorizada até que se torne inviável e muito caro cruzar a cidade de carro ou de moto. Passaremos a pedalar mais, a caminhar mais, nos veremos mais, exigiremos mais espaço, mais praças para descansar nos caminhos, para nos ver – isso! nos veremos mais. É assim que as cidades um dia voltarão a ser lugares de encontro. É isso que nos encanta nas cidades européias e em muitas cidades americanas; é o que relembramos quando saímos de sampa para qualquer cidade menor do Brasil… todo mundo se vê.

    Abraçao (e venha logo para o Sul enquanto está friozinho, tipo assim quase negativo raararra)

  4. Sim Edu, a coisa aqui está ainda longe de ter uma solução. Como você disse, na falta do Estado ficamos em meio a essa bagunça e falta de respeito pela vida.
    Olha que vou ao Sul mesmo, aí podemos discutir mais a fundo tudo isso!

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