A GRAMA DO VIZINHO

Um amigo me mandou um texto de Martha Medeiros outro dia que achei bem interessante. Discorria sobre aquela velha idéia que crescemos ouvindo  A GRAMA DO VIZINHO É SEMPRE MAIS VERDE QUE A NOSSA. Quantas pessoas não pensaram alguma vez nisso?…algo muito animado está acontecendo por aí e eu estou aqui perdendo tempo ao lado de alguém que vejo e falo todo dia, que está me impedindo de ser FELIZ como as outras pessoas são?

Aqui uma parte desse texto:

‘As festas em outros apartamentos são fruto da nossa imaginação, que é infectada por falsos holofotes, falsos sorrisos e falsas notícias. Os notáveis alardeiam muito suas vitórias, mas falam pouco das suas angústias, revelam pouco suas aflições, não dão bandeira das suas fraquezas, então fica parecendo que todos estão comemorando grandes paixões e fortunas, quando na verdade a festa lá fora não está tão animada assim.

Ao amadurecer, d escobrimos que a grama do vizinho não é mais verde coisíssima nenhuma. Estamos todos no mesmo barco, com motivos pra dançar pela sala e também motivos pra se refugiar no escuro, alternadamente. Só que OS MOTIVO PRA SE REFUGIAR NO ESCURO RARAMENTE SÃO DIVULGADOS. Pra consumo externo, todos são belos, sexys, lúcidos, íntegros, ricos, sedutores. “Nunca conheci quem tivesse levado porrada/ todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo”. Fernando Pessoa também já se sentiu abafado pela perfeição alheia, e olha que na época em que ele escreveu estes versos não havia esta overdose de revistas que há hoje, vendendo um mundo de faz-de-conta.

Nesta era de exaltação de celebridades,  reais e inventadas,  fica difícil mesmo achar que a vida da gente tem graça.’ 

Sabemos que a natureza humana é curiosa, de se questionar e nunca estar satisfeita…que com o mundo virtual as coisas estão ficando cada v ez mais rápidas e (infelizmente) menos profundas. Mas podemos não compactuar com isso e assim começar a dar mais valor às pequenas coisas da vida, aos momentos de PAZ que temos dentro de casa com nossos companheiros ou amigos. Somente essas coisas podem preencher o vazio que toma nossas almas por não sabermos ao certo o sentido de nossas vidas…nem se teremos alguma continuação ou avaliação para isso tudo.

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4 comentários sobre “A GRAMA DO VIZINHO

  1. Sempre pertinente, Rico.
    Conheci uma pessoa que terminou um relacionamento de 11 anos, há apenas 2 meses. Eles estão vivendo uma competição silenciosa, para mostrar que um está melhor do que o outro. E nessa competição, cada qual, apesar de se esforçarem para parecer bem, não conseguem deixar de desejar ser o outro. Cada qual cria um universo imaginário para impressionar. Agem exatamente da forma como você inteligentemente expôs. Vivem uma ilusão. Ninguém quer dançar no escuro. Só interessa os holofotes.

  2. Rico:
    Parabéns pelo seu texto reflexivo!
    A grama do vizinho…
    temos às vezes um belo jardim ou então belos e vistosos
    vasos cultivados com carinho e ainda há cobiça da grama
    (q pode estar com ervas bem daninhas) do vizinho!
    Qdo se refere a sexo, então, o q temos em casa (na verdade qdo temos em casa…. mas isso é outra história) é sempre menos prazeroso do que o de fora.
    Mas, qdo estamos sós como é o meu caso há anos, temos certeza q o sexo em casa é incomensuravelmente melhor do que o de fora, feito geralmente de pé ou de forma desconfortável!
    Parabéns de novo
    bjs
    Maurício

  3. Valeu Rico, queridão… Eu diria que este teu texto é um Alerta sonoro bem agudo pra realidade! Valeu mesmo! Nada de máscara, nada de faz de conta! Um beijo grande e muita saudades

  4. Parabéns, a forma como tu escreves permite ao leitor uma visão bem objetiva e solta da realidade, sem fugir dela.
    Ótimos textos. Abraço

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